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Quando se fala de perda de peso, há duas situações muito comuns: na primeira, as pessoas se levantam, não tomam café da manhã e vão direto malhar ou correr. Quando se está em jejum, supõe-se que o corpo use a gordura como combustível, não é mesmo? Já no segundo caso, seguindo uma das dietas da moda, as pessoas fazem refeições mínimas com alimentos de pouco valor nutricional e passam muitas horas com fome. Consegue perceber o erro nas duas situações?
O raciocínio por trás dessas duas práticas até estaria correto se o corpo realmente gastasse o depósito de gordura do qual queremos nos livrar, mas quando o jejum é muito longo, nosso corpo não reage desse modo. Quando realizamos ações comuns ou mesmo o exercício, usamos o glicogênio como fonte de energia. Se não nos alimentamos com alguma frequência e reestocamos essa energia, ao invés dessa fonte, o corpo começará a transformar as proteínas em glicose. Sabe o que isso significa? O corpo perderá massa magra ao invés de gordura, além de estocar tudo que for consumido, o que mostra que, a princípio, quem jejua prolongadamente efetivamente engorda.
Isso acontece pois nosso corpo, que foi evoluindo desde a pré-história, percebe o jejum como uma situação de perigo, diminuindo vertiginosamente o metabolismo e o emagrecimento, para que nossas reservas de gordura possam nos manter vivos. Assim, cada vez o gasto protéico na forma de glicose será maior, até que chegue um momento em que a pessoa se tornará desnutrida.
Outra coisa que nosso corpo faz é liberar hormônios de estresse no nosso corpo, o cortisol sendo um deles. Excesso de cortisol está associado ao acúmulo de gordura abdominal, insônia, aumenta a pressão arterial e atua principalmente na função catabólica, consumindo os músculos que você se esforçou para conseguir.
Quais os efeitos de um jejum prolongado?
Até agora falamos dos sintomas mais leves, mas o jejum prolongado pode levar à tonturas, confusão mental, dificuldade de concentração e há a formação de corpos cetônicos. Os corpos cetônicos se transformam espontaneamente em acetona, que é tão volátil que sái pela respiração. É por isso que é característico ter mau hálito quando acordamos ou se alguém fica muito tempo sem comer. Com o excesso de corpos cetônicos, o pH do sangue acaba baixando muito e se torna uma patologia, chamada acidose.
Malhar sem comer e fazer dietas muito restritivas se baseiam no princípio em comum de que jejuar ajuda no emagrecimento, mas acontecesse exatamente o oposto. Aliás, para praticantes de esportes os efeitos podem ser ainda piores, já que o corpo em jejum diminui o metabolismo para estocar nutrientes e durante a atividade física é gerada uma demanda grande de energia, e o baixo índice glicêmico pode causar até desmaios – que é a maneira de seu corpo desligar-se automaticamente, já que não pode continuar o exercício.
O único momento em que ainda é saudável mantermos um jejum prolongado é durante o sono, já que o corpo diminui a marcha para continuar mantendo as funções vitais. Para emagrecer com saúde, não tem segredo: consulte um nutricionista e planeje uma alimentação adequada.
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